05/10/2011

Foto: Marcelo Albert

Seminário aborda ciência e museologia

Memória, história, preservação e conservação, arte, políticas públicas. Na noite desta segunda-feira, 3 de outubro, com a promessa de debater estes e outros temas, teve início o II Seminário Internacional Ciência e Museologia: Universo imaginário. O evento, promovido pela Escola de Ciência da Informação (ECI) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com apoio institucional do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), por meio da Memória do Judiciário (Mejud), prossegue até sexta-feira, no auditório da Reitoria. Para acessar a programação acesse aqui.

A conferência inaugural foi ministrada pela professora Martine Segalen, da Universidade de Paris X – Nanterre (Université de Paris Ouest Nanterre-La Défense), com mediação da professora Marilene Corrêa Maia, da ECI. O objetivo da realização, de acordo com a coordenadora-geral do Seminário, professora Cátia Rodrigues Barbosa, é promover o debate e a reflexão, difundindo o conhecimento, por meio da articulação de humanidades, tecnologias, inovações tecnológicas e empreendedorismo.

A coordenadora agradeceu “o apoio integral da Mejud e do TJMG, que já são parceiros antigos do Grupo de Pesquisa e Estudos em Museologia-Arte-Estética na Tecnologia, Educação e Ciência (MUSAETEC/CEFET-MG)”, esclarecendo que a pesquisa contemporânea exige que os investigadores saibam lidar com a transdisciplinaridade e a cooperação com entidades e grupos diversos. Essa é a segunda edição do Seminário. A primeira ocorreu em abril de 2008.

Conferência

Antropóloga, socióloga, doutora em Etnologia e diretora da revista Ethnologie Française, a professora Martine Segalen tratou, em sua conferência, do legado do museólogo Georges-Henri Rivière (1897-1985) e do fechamento, em junho de 2005, da instituição que ele idealizou e fundou em Paris, em 1937, o Museu Nacional de Artes e Tradições Populares ( Musée National des Arts et Traditions Populaires, conhecido como ATP).

Para Segalen, que foi pesquisadora no ATP, Rivière desenvolveu um museu-laboratório que investia não só na coleta e exposição de objetos, mas no exame e na produção de saber a respeito deles. Porém, com o passar do tempo, o modelo passou a ser rejeitado. “Hoje, todo o acervo está empacotado e deverá ser levado para constituir um museu dedicado às civilizações da Europa e do Mediterrâneo em Marseille”, conta.

A antropóloga, que se disse profundamente afetada pelo doloroso desfecho da história, atribuiu o desinteresse da população pelo ATP a uma série de fatores, como o posicionamento político conservador de Rivière durante a República de Vichy (governo francês que, durante a 2ª Guerra Mundial, colaborou com a ocupação nazista); a ausência, à época da fundação do museu, da cadeira de etnologia nas universidades; a ambição utópica do museólogo de recolher todos os aspectos da vida social e o descaso das autoridades.

“O imenso projeto humanista de Rivière fracassou devido a uma crise que atinge a museologia como um todo, pois o questionamento das grandes verdades e da noção de patrimônio, a mudança do paradigma histórico e a pouca originalidade na exposição dos objetos vêm resultando na perda do público”, explicou a professora. “Esse tipo de instituição, também chamada ‘museu de sociedades’ ou ecomuseu, prioriza não o lado estético, mas o social. Rivière pretendia um ‘Louvre do Povo’. Foi uma boa má ideia”, concluiu.

Personalidades

A mesa de honra para a solenidade de abertura dos trabalhos contou com o reitor da UFMG, professor Clélio Campolina Diniz; o diretor da Escola de Ciência da Informação, professor Ricardo Rodrigues Barbosa; o diretor da Escola de Belas Artes, professor Luiz Souza; a coordenadora do Museu da Mejud, Andréa Vanessa da Costa Val; a vice-diretora da ECI, professora Bernadete Santos Campello; o coordenador do curso de Museologia, professor Paulo da Terra Caldeira; além da coordenadora-geral, professora Cátia Barbosa.

Estiveram presentes a coordenadora do programa de pós-graduação em Ciência da Informação, professora Gercina Borém Lima; a professora Jussara Vitória de Freitas, representando a diretora do Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis (Cecor), professora Bethânia Veloso; a presidente da comissão científica do II Seminário Internacional Ciência e Museologia, professora Lídia Alvarenga; e a professora Renata Maria Abrantes Baracho.

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