06/06/2018

Fotos: Mejud

Tudo limpo, brilhando e nos devidos lugares. É assim que a equipe de auxiliares de conservação do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) mantém os ambientes do Palácio da Justiça Rodrigues Campos, sede do Museu da Memória do Judiciário Mineiro (Mejud). O centenário prédio possui peças de valor incalculável e, por isso, exige trabalho minucioso e especializado que garanta a preservação delas.

São ao todo quatro auxiliares de conservação de museu, que cuidam diariamente da limpeza de lustres, quadros, expositores e fazem o polimento de móveis, corrimões, escadas e do elevador histórico. Alguns desses profissionais acumulam muita experiência na função e, por isso, conhecem em detalhes cada pedacinho do prédio inaugurado em 1912.

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Auxiliares de conservação do Museu da Mejud: Denilson, Daniel, Tânia (aposentada), Perolina e Maria de Lourdes

Equipe

Perolina Reis é mais antiga da turma. São 22 anos exclusivamente dedicados ao Palácio da Justiça. “Fazemos de tudo, menos limpeza de chão”, esclarece. Apesar de não conhecer profundamente o conteúdo dos documentos expostos, alguns com mais de 300 anos, como a Carta de Alforria da escrava Chica da Silva, Perolina tem consciência de sua responsabilidade. “Eu limpo com o maior cuidado”.

Dentre as tarefas principais, ela destaca a manutenção dos lustres dos salões como a mais complicada. “Tem que subir em andaime, desmontar, lavar, montar novamente e voltar com ele para o mesmo local. A gente faz com muita atenção para não perder ou quebrar qualquer peça”, explica. Usar o produto certo no polimento dos moveis é outra preocupação da auxiliar. “Se passar água com sabão vai ficar tudo manchado”, alerta.

Denilson de Souza começou a trabalhar no TJMG há 21 anos como limpador de vidros. Como auxiliar de conservação já são quase 10 anos. Sempre é visto polindo com precisão os metais nobres do elevador de porta pantográfica, cuja estrutura externa veio de navio da Alemanha por ocasião da construção do edifício. Ele conta que sabia pouco sobre o equipamento, mas conheceu a história dele ao ouvir as explicações dos monitores repassadas aos visitantes. “No começo, eu achava que era um elevador comum, hoje, eu sei que ele foi fabricado há muitos anos”, diz.

Natural de São Pedro dos Ferros, em Minas Gerais, Denilson fala com orgulho do local de trabalho. “Quando vou na minha cidade eu divulgo o Palácio. Abro o site na internet e mostro por dentro para eles verem como é bonito”, conta.

Daniel Matta também é antigo na Casa. São 17 anos, sendo mais de seis na conservação de museu. Na sua opinião, é diferente trabalhar no Palácio da Justiça. “É um serviço mais detalhado, que requer bastante responsabilidade”. Ele fala que recebeu várias orientações dos colegas mais antigos. “A Perolina e o Denilson me ensinaram muitas coisas”, agradece.

Para Daniel, outra tarefa complexa é a limpeza dos quadros da Galeria de Ex-Presidentes no Salão Nobre. “A moldura não pode estragar”, explica.

Já Maria de Lourdes Moura é a “caloura” da equipe de conservação. Começou na função há apenas três meses. Anteriormente, durante oito anos, realizou a limpeza geral do Palácio. A mudança de lotação foi a seu pedido. “Eu tinha curiosidade de conhecer o trabalho deles, eu achava legal”, revela. Quando perguntada se está gostando da mudança, a resposta é imediata: “Estou amando”. Para ela, uma das principais diferenças é o ritmo de trabalho. “Antes era mais agitado”, compara.

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A limpeza dos lustres é uma das tarefas que exigem muita concentração dos funcionários

Dedicação

Aqueles que deram sua significante parcela de contribuição para o funcionamento do Museu, mas não fazem mais parte da equipe atual, tem também o reconhecimento da Mejud. Tânia da Fonseca foi auxiliar de conservação por mais de 15 anos. Aposentou-se em fevereiro de 2018.

Ela recorda que trabalhava na faxina do TJMG quando surgiu uma vaga no Palácio da Justiça. “Fui indicada pela supervisão por ser muito caprichosa e atenta no serviço”, revela. Conta que a primeira instrução recebida antes de iniciar na nova função é que “estava saindo da flanela para para um serviço mais artístico”.

Tânia explica que não tinha noção exata da rotina que a esperava. Através de apostilas de cursos fornecidas pelos colegas mais antigos e a experiência adquirida por eles aprendeu os macetes da conservação. “As grades, a gente limpava com aguarrás e pincel, depois dava lustre”, revela. Outro cuidado especial era dedicado ao revestimento de couro das cadeiras antigas que não podia ter contato direto com água. “Nunca nós molhamos. Se estragasse era um patrimônio, não é?”, observa.

Com o tempo, Tânia aprendeu a gostar do local de trabalho. “Peguei amor pelo Museu como se fosse minha casa”, fala emocionada. “Eu não sentia cansaço porque eu fazia com carinho”, completa.

Hoje, aposentada, Tânia diz sentir falta do Palácio da Justiça. “Tenho muitas saudades”, diz, destacando também a gratidão pelos seus antigos superiores hierárquicos. “Eles reconheciam nosso esforço e dedicação. Agradeço eles demais”, finaliza.

Limpeza geral

Outras quatro funcionárias cuidam do recolhimento de lixo, varrição, limpeza de paredes, polimento de pisos e lavação de banheiros. Um limpador de vidros atende ao Palácio da Justiça e a outros prédios do TJMG.

Os funcionários de conservação e limpeza geral pertencem à empresa terceirizada Plansul – Planejamento e Consultoria contratada sob a responsabilidade da Coordenação de Controle da Prestação de Serviços Gerais (Cosec) do TJMG.