Oficina educativa desenvolve exposição compartilhada

26/09/2019

Fotos: Cecília Pederzoli/Ascom/TJMG

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Uma das estatuetas de Themis é examinada pelos participantes da oficina

Autos de processos, estatuetas, fotos e objetos diversos. Como organizá-los em uma exposição, obedecendo a uma narrativa coerente e identificada com a sociedade?

Essa tarefa educativa foi o objetivo da oficina realizada nesta quinta-feira, 26 de setembro, pela Memória do Judiciário Mineiro (Mejud) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e ministrada no Salão Nobre do Palácio da Justiça Rodrigues Campos, sede do Museu da Mejud, em Belo Horizonte. Participaram estudantes universitários de diversas instituições de ensino da capital.

O evento fez parte da programação da 13ª Primavera dos Museus do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), proposta a reunir, no período de 23 a 29 de setembro, 848 museus participantes em todo o Brasil. O tema nacional é “Museus por dentro, por dentro dos museus”.

Criada especificamente pelos funcionários da Mejud, a temática “Legendas: uma experiência de curadoria compartilhada” foi pensada visando uma transformação social da atuação dos museus.

“Durante muito tempo, eles foram construídos de forma menos democrática: os visitantes entravam, experimentavam as exposições e depois iam embora”, disse a assessora da Mejud, Andréa Costa Val. “Hoje, vivemos em contexto de troca. É muito importante ouvir o que o público espera para que ele se identifique com a exposição.”

A proposta da oficina veio ao encontro da expectativa da maioria dos participantes. O estudante Lucas Alan, que cursa Biblioteconomia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),  destacou o contexto social e cultural preservado pelo Poder Judiciário mineiro.

“Entendemos, dentro de diferentes épocas, como isso funcionava.” Citou como exemplos a criação do Tribunal da Relação de Ouro Preto, a visita da Família Imperial a Minas Gerais e os processos que retratam como era discutida a questão da escravatura.

Exposição

Para montar a exposição no saguão do Palácio da Justiça, os alunos conheceram antecipadamente 23 objetos disponíveis do acervo da Mejud e receberam um croqui do local para definir a distribuição dos expositores.

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Os jovens fizeram uma mesa-redonda para estudar as peças que seriam expostas e o croqui do local

Após uma mesa-redonda com a supervisão dos monitores, os estudantes escolheram para compor a mostra duas estatuetas representativas de Themis, conhecida como Deusa da Justiça, o inventário de bens do Visconde do Rio da Velhas, o quadro da primeira sede do Tribunal da Relação de Ouro Preto, a maquete em madeira do Palácio da Justiça, os autos do processo do assassinato de Fusika Monaka, a ação de liberdade da escrava Eva, documentos sobre a pena de galés, aplicada conforme o Código Criminal brasileiro do século XIX, tinteiros do século XX e máquinas de escrever Remington e de cálculo Addo 3. O título da exposição foi “Símbolos e Narrativas”.

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Os estudantes manusearam documentos históricos, entre eles, a ação de liberdade da escrava Eva

Interdisciplinaridade

A oficina atraiu também os olhares do público interno do TJMG. Ao saber da realização do evento pelo Instagram da Mejud, a estagiária Amanda Jercika de Oliveira Souza, estudante de Biblioteconomia da UFMG, percebeu de imediato uma oportunidade de sair de sua área de conhecimento para discutir a interdisciplinaridade que há entre o seu curso, a Arquivologia e a Museologia.

“Uma oportunidade para ir além da minha área de conforto. Foram importantes as discussões para entender o que existe na narrativa de uma exposição. A história que eu gostaria de contar para o público”, explicou.

Já Bheatriz Alexsandra Rocha de Souza, estudante de História do UniBH,  foi motivada a se inscrever na oficina para compartilhar os conhecimentos adquiridos no estágio realizado no Tribunal Regional do Trabalho 3ª Região – Minas Gerais (TRT-MG). “Isso agrega muito ao meu trabalho, que é voltado para educação em museus e espaços culturais.”

O conteúdo do acervo trabalhado na Mejud foi também importante para ela. “São períodos diversos do Poder Judiciário, que nos dão uma dimensão grandiosa de como funciona a disputa na Justiça, por meio das leis, e a relação entre juízes e advogados”, resumiu.