Setembro/2008

Foto: Ascom/TJMG

Escarradeiras_fatos_09-2008

As escarradeiras ou cuspideiras foram artefatos muito utilizados pela alta sociedade do século de XIX. Dentre os padrões de comportamento da época, difundia-se a teoria que não se deveria reter aquilo que seria prejudicial ao organismo. Para tanto, o hábito de escarrar em público foi transformado em uma prática elegante, exercida sem qualquer constrangimento em teatros, igrejas, restaurantes e em locais nobres das residências. Para compor esses ambientes e denotar o apuro de seu uso, as escarradeiras eram confeccionados em materiais finos como porcelana, faiança, vidro, metais, além de serem ricamente adornadas.

O seu uso chegou a ser justificado como forma de combate a uma das doenças comuns à época, a tuberculose. Acreditava-se que proibindo o hábito de cuspir no chão e obrigando o uso de escarradeiras encontrar-se-ia a solução para conter a transmissão da moléstia.

Com a crescente disseminação da tuberculose, várias leis relacionadas ao seu controle foram promulgadas, dentre elas a proibição do hábito de cuspir. Com isso, na transição para o séc. XX, as escarradeiras foram caindo em desuso, passando a ser utilizadas apenas como peças decorativas.

No Museu da Memória do Judiciário Mineiro estão em exposição dois exemplares de centenárias escarradeiras em porcelana alemã que foram utilizadas na Sala de Sessão de Julgamento do Tribunal da Relação de Ouro Preto.