10/06/2015

Foto: Renata Caldeira

2015-Visita-Semana 13 Museus

Quase dois séculos separam os primórdios da primeira imagem fotográfica dos modernos equipamentos digitais da atualidade. Mais atentos às tecnologias atuais, muitos jovens, na faixa de 15 anos, não tiveram a oportunidade de lidar com a película que antecedeu os sensores eletrônicos. Já nasceram na era dos celulares com câmeras. Para explicar o processo de funcionamento da fotografia e discutir o patrimônio como mecanismo para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável, a Memória do Judiciário Mineiro (Mejud), do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG), ofereceu uma oficina de construção de câmeras pinhole a 20 alunos do primeiro ano do ensino médio do Instituto de Educação de Minas Gerais (Iemg).

A atividade marcou as comemorações da 13ª Semana de Museus, realizada de 18 a 24 de maio em mais de 1.300 instituições museológicas brasileiras. Em 2015, o tema discutiu a sustentabilidade dos museus.

As atividades começaram no dia 22 de maio com uma visita ao auditório do edifício do anexo 1 do TJMG, localizado na rua Goiás, Centro de Belo Horizonte. Naquele ambiente, onde funcionou por mais de duas décadas o Salão do Tribunal do Júri do antigo Fórum Lafayette, os alunos conheceram o painel “Justiça”, do renomado artista plástico Di Cavalcanti, datado de 1950. A obra produzida na técnica de óleo sobre parede, medindo 12,87 por 5 metros, retrata o cenário de um julgamento criminal.

Os monitores da Mejud propuseram uma livre discussão sobre a simbologia dos elementos desenhados pelo pintor. O detalhe de uma serpente, que representa a luta da justiça contra as forças do mal, chamou a atenção dos jovens. Os dados informados aos visitantes tiveram como referência o livro “Coleção Memória e Arte – Di Cavalcanti”, editado pela Mejud em 2010.

Durante a visitação, os alunos puderam registrar com seus celulares os ambientes principais do Palácio da Justiça Rodrigues Campos, sede do Poder Judiciário Estadual. O salão do Órgão Especial, caracterizado pela sua suntuosidade, foi um dos locais mais fotografados. Interessados em conhecer a estrutura do Tribunal de Justiça, os estudantes fizeram várias perguntas aos monitores sobre o dia a dia dos magistrados.

Pinhole

A primeira parte da oficina foi ministrada no mezanino do Salão Nobre do Palácio da Justiça. O local, ricamente adornado pelo mobiliário histórico, destaca-se pela presença da Galeria de Retratos de ex-presidentes do TJMG e pelo imponente quadro do enforcamento do herói nacional Tiradentes.

As pinholes foram confeccionadas com material reutilizado, como latas de sardinha, espumas, borracha e papelão. Além de reforçar a preservação ambiental, a oficina buscou incentivar a proteção das identidades e tradições. Divididos em grupos, os alunos usaram da criatividade para pintar as câmeras.

Pinhole, que significa “buraco de alfinete” em português, é uma técnica fotográfica cuja imagem é formada em uma câmera escura sem lente, pela passagem da luz por um pequeno orifício. Esse princípio de formação da imagem é conhecido por artistas e inventores desde o século XVI.

Instituto de Educação

A segunda etapa da oficina foi realizada em 26 de maio, na biblioteca do Iemg, onde os alunos terminaram a fabricação das câmeras e fizeram as primeiras capturas de imagens. Segundo a assessora da Mejud, Andreá Costa Val, a atividade atendeu ao objetivo de ampliar a atuação da Semana do Museus para outros espaços culturais de Belo Horizonte. “O histórico prédio do Iemg abrigou as Justiças de Primeira e Segunda Instâncias, após a transferência da capital de Minas Gerais de Ouro Preto para Belo Horizonte em 1897. Somente em 1912 foi inaugurada a sede própria do Tribunal no Palácio da Justiça”, explicou.

O valor arquitetônico da escola foi também ressaltado pelo professor de física do Iemg Mateus Froede, que ministrou na oficina fundamentos da óptica aplicados à fotografia. “O prédio é tombado e é um patrimônio da cidade”, disse.

Ao final das atividades, alunos avaliaram a oficina. “Entendemos o mecanismo de funcionamento da câmera e como a luz se propaga dentro dela. Hoje é tudo digital e ninguém tem interesse em saber como a imagem é formada”, disse Ellen Maria Alves Dutra Câmara.

Carlos Daniel de Souza Lordeiro valorizou a oportunidade de fazer uma câmera com material reutilizado. E completou: “Gostei também dos conhecimentos aprendidos sobre o Tribunal de Justiça”.

As narrativas com as imagens produzidas farão parte de uma exposição no dia 15 de novembro, data de comemoração da Proclamação da República.

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