8/04/2019

Imagem: Mejud

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A servidora Luzia Rosilene mostra como é feita a escrita em Braille em uma reglete,
instrumento criado para essa finalidade

Criado em 1825, pelo pelo francês Louis Braille, o método de leitura para deficientes visuais que recebe o seu sobrenome é comemorado no Brasil no dia 8 de abril desde 2010. O Dia Nacional do Sistema Braille foi idealizado em homenagem ao nascimento de José Álvares de Azevedo, o primeiro professor cego do Brasil. Segundo o Ministério da Educação, (Mec), a data é dedicada à reflexão sobre a importância de mecanismos que favoreçam o desenvolvimento das pessoas cegas ou com baixa visão.

O sistema Braille é composto de seis pontos em alto-relevo que representam todas as letras do alfabeto, números e símbolos aritméticos, perfazendo 63 combinações. Utilizando-se de um instrumento chamado reglete, o deficiente escreve o texto. Com o toque das mãos pode ler as mais diversas fontes de informação para o seu crescimento pessoal e profissional.

Alfabetização

Portadora de glaucoma congênito, Luzia Rosilene ingressou, por concurso, no Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) em 2010 e, desde então, está lotada na Memória do Judiciário Mineiro (Mejud).

Ela conta que enxergava algumas poucas luzes e cores. Aos 30 anos, perdeu a visão completamente. Somente aos 10 anos se deu início à sua alfabetização no Instituto São Rafael, em Belo Horizonte, referência no atendimento aos deficientes visuais. Em Brazópolis, no Sul de Minas, onde passou sua infância, não havia escola e material especializados. “Lá, ninguém sabia o Braille e, então, não tinha como as escolas me aceitarem”, recorda.

Segundo a servidora, a alfabetização em Braille é semelhante à da escrita comum. Primeiramente, são ensinadas as vogais, em seguida a formação das sílabas e das palavras. “A única diferença é na forma da letra”, explica Luzia.

Luzia conta que antes de aprender o Braille sentia muita vergonha. “Meus irmãos sabiam ler e eu ficava imaginando que eu nunca poderia fazer o mesmo,” diz. “O Braille para nós é como a caneta para vocês. Ele é fundamental para a alfabetização do cego. É o princípio de tudo”, define.

Software

Como qualquer atividade humana, o método de leitura para cegos também se rendeu à evolução tecnológica. Atualmente, softwares permitem o acesso de conteúdo em computadores, com o auxílio de uma voz digital.

Em 2017, os recursos permitiram ao TJMG, por meio da Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef), treinar servidores deficientes visuais para uso do Sistema Eletrônico de Informações (SEI) responsável pela gestão de documentos e processos administrativos.

Luzia utiliza o Jaws (Job Access With Speech) nos equipamentos da Mejud, Segundo a servidora, existem outros leitores de tela como NonVisual Desktop Acces (NVDA). Ela conta que é autodidata no aprendizado do programa. “Aprendi sozinha com a ajuda de amigos”, orgulha-se. Ela explica que para concorrer ao concurso do TJMG é exigido do deficiente o domínio dos leitores de tela.

Porém, ela destaca que a tecnologia eletrônica não substitui o método criado há quase 200 anos. “O equipamento lê o conteúdo, porém não informa a grafia das palavras e a pontuação das frases. “Ele é um complemento, mas o Braille será sempre a ferramenta principal de leitura do cego”, resume.