29/11/2018

Imagens: Mejud

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Mais de nove mil documentos são submetidos ao processo de eliminação de organismos nocivos

Eliminar de forma segura e eficiente organismos nocivos que atacam produtos de origem vegetal (celulose). Essa é a expectativa da Memória do Judiciário Mineiro (Mejud) com o serviço de desinfestação por anóxia contratado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) para combater insetos, brocas, ácaros e fungos presentes em processos antigos do acervo.

O trabalho está sendo realizado dentro do Palácio da Justiça Rodrigues Campos, sede do Museu da Mejud, pela empresa José Augusto Zabaleta Irigon, sediada em Pelotas, no Rio Grande do Sul. A previsão é concluí-lo em cerca de 30 dias.

Segundo o engenheiro agrônomo responsável José Augusto Irigon, a morte das pragas ocorre por meio da imersão dos documentos em ambiente hermeticamente fechado com ausência de oxigênio. “Isso provoca a asfixia dos organismos que queremos eliminar”, explica.

As caixas com processos cíveis e criminais, inventários, testamentos e livros foram reunidas no centro de uma sala, perfazendo um volume de 25 m2, e cobertas por lonas lacradas com fitas adesivas, formando um balão fechado. Na sequência, foi injetado gás argônio em uma das pontas. Esse gás inerte, que não danifica os documentos, empurra todo o oxigênio para fora do balão. Os níveis de concentração de oxigênio são medidos por um oxímetro.

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O balão fechado asfixia os insetos pela falta de oxigênio

Preocupação

Segundo a assessora da Mejud Andréa Costa Val, atualmente, uma grande parte do acervo do Museu encontra-se infestada por brocas. “É urgente que se proceda a uma desinfestação para que os documentos estejam disponíveis para pesquisas, consultas e exposições, estendida à sala onde os processos estão submetidos ao tratamento”, explicou. “Temos que ficar conscientes de que todo o espaço deve estar finalmente livre de toda e qualquer infestação residual”, alertou. Lembrou, ainda, que a deterioração deles pode significar perdas absolutamente irreparáveis. “Após a desinfestação, os processos serão listados e catalogados e, com a maior brevidade possível, escaneados para a pronta disponibilização ao público”, disse.

As 977 caixas atacadas por insetos estavam armazenadas em uma sala isolada, sendo separados por sacos plásticos de forma a impedir a mobilidade deles e a contaminação nas demais dependências da Mejud. Dessa forma, foi proibida a sua manipulação.

A desinfestação inclui documentos recolhidos junto à Universidade Federal de São João Del-Rei (UFRJ), totalizando 8.472 processos e 237 livros, e outras 261 caixas que vieram da Comarca de Santa Bárbara.