28/04/2015

Foto: Divulgação

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Paredes, móveis, roupas e até estátuas de animais cobertos de pedaços de louça e cerâmica. Esse é o ambiente da Casa de Cacos, localizada em Contagem, que desperta curiosidade e admiração de visitantes de todo o Brasil e estrangeiros. A inusitada construção, única do gênero no país, foi tema da palestra do graduando em museologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Ailton Rosa, realizada no último dia 15 de abril. O evento abriu a temporada 2015 do Circuito de Seminários, promovido pela Memória do Judiciário Mineiro (Mejud) do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG), em parceria com o Grupo de Pesquisas e Estudos em Museologia – Arte – Estética na Tecnologia, Educação e Ciência (Musaetec-ECI/UFMG).

A iniciativa do Circuito de Seminários, que é aberta ao público em geral por seu caráter informativo e cultural, visa também às equipes do TJMG que lidam com acervos museológicos, fomentando a pesquisa e o estudo e aprimorando o conhecimento sobre a conservação da Memória do Judiciário Mineiro. Além disso, ela promove o contato com diferentes experiências no âmbito das práticas de museologia.

O palestrante refletiu sobre a estrutura da Casa de Cultura Nair Mendes Moreira, cujas atividades funcionam em imóvel de Contagem datado de 1716. Além de cuidar do acervo documental do município, a instituição é responsável pelo trabalho de preservação da Casa de Cacos e abriga o Museu Histórico local.

Idealizada pelo seu proprietário, o geólogo Carlos Luís de Almeida, a Casa de Cacos foi construída ao longo de mais de duas décadas. Segundo Rosa, a utilização dessa arte decorativa surgiu antes mesmo do artista mudar-se com a família para esse imóvel em meados da década de 1960. “Ele morava no bairro Carlos Prates, onde já fazia o mesmo tipo de mosaico no muro”, disse. A imaginação do artista não tinha limites. Entre os objetos decorados mais interessantes, destacam-se quadros, cadeiras, violão, panelas e esculturas de elefante e cachorro. Rosa conta que, para divulgar seu trabalho, o artista se vestia de sua matéria-prima. Casaco, calça, sapatos e chapéu cobertos de cacos compunham a sua fantasia.

Almeida iniciou seu projeto a partir de uma construção simples, em terreno de menos de 400 metros quadrados. Com restos adquiridos em depósitos de material de construção, entulhos e doações, montou sua obra. “A partir daí, a casa se tornou uma referência na região e começou a receber visitantes”, contou o palestrante.

Tombamento

Segundo Rosa, com a morte do artista, em 1989, o imóvel foi adquirido pela Prefeitura de Contagem, em 1991, por iniciativa de sua família, e tombado, conforme o Decreto 10.445, de 14 de abril de 2000. Enquanto Carlos Almeida vivia, a Casa de Cacos foi tema de diversas matérias jornalísticas. O palestrante explicou que, desde então, ainda não foi feita uma intervenção adequada na estrutura da edificação que garanta a sua preservação. Atualmente, a Casa dos Cacos está fechada ao público e aguarda um estudo especializado e recursos financeiros para a realização de uma reforma completa. “Esse patrimônio é importante, tem potencial turístico, mas ainda não é explorado”, lamentou Rosa.

O endereço da Casa de Cacos é rua Ignez Glanzmann de Almeida, 132, bairro Bernardo Monteiro, em Contagem.

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