Abril/2010

Foto: Ascom/TJMG

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Em 1889 D. Pedro II, Imperador do Brasil, sofreu um atentado quando saía de uma representação teatral no Rio de Janeiro.

A instabilidade social, pressões, críticas e insatisfações agravaram-se em 1888, ano da promulgação da Lei Áurea pela princesa Isabel, substituta legal do Imperador quando de seus afastamentos por motivo de viagem ou de saúde. O poder escravista foi seriamente abalado e o Império atingido em seus alicerces.

Como o imperador encontrava-se bastante doente, estava cada vez mais afastado das decisões políticas do país. Os brasileiros temiam o Terceiro Império, ainda mais por ser o marido regente um príncipe francês, o Conde d’Eu.

Desse modo, o final da década de 1880 encontra um Brasil mergulhado em  uma grave crise institucional e com um sistema de governo, a monarquia, profundamente conservador, que não  correspondia mais às mudanças sociais em processo.

Os historiadores afirmam, e os jornais da época comprovam, que a queda da monarquia e a  implantação da República não foi propriamente uma revolução.  Entretanto, esse não foi um  movimento completamente pacífico, já que D. Pedro II, o Imperador, sofreu um atentado em julho de 1889.

Esse fato está registrado na ata do Tribunal da Relação que se encontra no Livro de Atas Manuscritas, datado de 1888-1890, pertencente à Memória do Judiciário Mineiro, Mejud. Pela transcrição abaixo, pode-se avaliar a repercussão, no Tribunal da Relação de Ouro Preto, da crise na capital.

“Aos 23 dias do mês de julho de 1889, nesta imperial cidade de Ouro Preto, capital da província de Minas Geraes, à hora regulamentar, presentes os exmos. Snr. Desembargadores, Julio Barbosa de Vasconcellos, presidente interino, conselheiro Frederico Augusto Alvares da Silva, José Antonio Alves de Brito, Aurélio A. Pires de Figueiredo Camargo, Julio Accioli de Brito e João Bráulio Moinhos de Vilhena, foi aberta a Sessão. Lida e approvada a acta da sessão anterior, o snr. presidente diz que, segundo o accordo unânime dos snrs. Desembargadores, depois de finda a sessão ultima, ao terem noticia do attentado contra a pessoa de Sua Magestade o Imperador, expediu o seguinte telegramma: “À Sua Magestade o Imperador. – Senhor! – Os membros do Tribunal da Relação deste districto de Ouro Preto, abaixo assignados, fieis e reverentes subditos de V.M.I., extremamente indignados, ao terem conhecimento do audacioso e temerário attentado do dia 15 do corrente contra a sagrada e inviolável pessoa de V.M.I., apressam-se, respeitosamente, a enviar a V.M.I., pelo presente telegramma, os seus sinceros votos do mais profundo pesar por tão lamentável e inesperado acontecimento, e, ao mesmo tempo, em felicitar à V.M.I., rendendo graças ao Altíssimo por não ter V.M.I.l soffrido a menor offensa phisica, ficando assim salva a preciosissima existência de V.M.I., o mais seguro e o mais valioso penhor de prosperidade e felicidade da Nação. – Ouro Preto, 17 de julho de 1889. Julio Barbosa de Vasconcellos, presidente interino. Frederico Augusto, procurador da Coroa. Alves de Brito. Pires Camargo. Accioli de Brito. João Bráulio.